A Bela e a Fera
Você conhece a história, não é?
Houve um tempo em que seu rosto era bonito e seu palácio era agradável. Mas isso foi antes da maldição, antes das trevas caírem sobre o castelo do príncipe. E, quando a escuridão tomou conta, ele sucumbiu. Recluso em seu castelo rebelde, com um focinho reluzente e grandes caninos. Porém, tudo mudou quando a mocinha chegou.
Fico pensando: o que teria acontecido à Fera caso a Bela não tivesse aparecido? Melhor ainda, o que teria acontecido se ela não tivesse se importado? Quem a teria culpado? Ele era tão… digamos, animalesco: pelos longos, babava, era frustrado. E ela era tão bela, estonteante, com uma bondade contagiante. Se duas pessoas se encaixassem nessa descrição, não seriam exatamente a Bela e a Fera?
Quem a teria culpado se ela não tivesse se importado? Mas ela se importou. E porque a Bela amou a Fera, a Fera tornou-se belo.
A história é familiar, não apenas por se tratar de um conto de fadas, mas porque nos faz lembrar de nós mesmos.
Há uma fera dentro de cada um de nós. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que a humanidade tinha um rosto belo e um “palácio” agradável. Mas isso foi antes da maldição, antes das trevas caírem sobre o jardim de Adão. E, desde a queda, temos sido diferentes: mais selvagens, feios, rebeldes e ferozes. Fazemos coisas que sabemos que não deveríamos fazer e depois nos perguntamos por que as fizemos.
Voltando à fábula, a bela beija a fera. Na Bíblia, a “Bela” faz muito mais: ela se torna como a fera para que a fera possa ser transformada em bela. Jesus muda de lugar conosco.
Nós, assim como Adão, estávamos sob a maldição, mas “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13).
E se a Bela não tivesse vindo? E se ela não tivesse se importado? Então teríamos continuado como feras.
Mas a Bela veio, e ela se importou. Aquele que é sem pecado tomou forma de pecador para que nós, pecadores, pudéssemos nos tornar santos.
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