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Mostrando postagens de maio, 2020

A porta de vidro

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Era uma manhã de domingo, mas não era um domingo qualquer. Naquela manhã, você havia preparado o chá, e nos sentamos juntos na velha gangorra do jardim. O inverno já havia passado, levando consigo todas as nevascas que o nosso relacionamento enfrentou. E então chegou a primavera — suave, viva — sorrindo lá fora junto ao desabrochar das rosas, orquídeas e girassóis que, um dia, plantamos juntos no jardim. Quantos momentos lindos colecionamos… quantos instantes únicos guardamos no coração. Os passarinhos cantavam sobre a varanda onde estávamos. O vento atravessava as folhas das árvores como uma melodia silenciosa que embalava nossa presença. E ali, naquele pequeno mundo nosso, encontrávamos aquilo que chamávamos de “final feliz à frente”. Era tudo simples. Era tudo sincero. Era tudo puro. Um sofá branco no canto esquerdo, com almofadas coloridas que traziam vida ao ambiente. Um quadro pintado por você — não como Da Vinci, mas com a alma de quem também sabia eternizar sentimento...

Bagunça

Era tudo uma bagunça. E, de alguma forma, a sua missão foi chegar e me ajudar a organizar tudo por dentro. Mas agora você se foi… E eu senti as lágrimas descendo pelo rosto como quem reconhece que algo importante passou pela vida, mesmo sem ter permanecido. Ao mesmo tempo, senti o coração tomado por uma estranha gratidão — porque, de alguma forma, eu vivi. Dizem que os sorrisos mais bonitos nascem depois das dores mais profundas. Talvez seja isso que eu tenha escondido por tanto tempo: a beleza silenciosa de ter sentido, mesmo que tenha doído. Gratidão… pelo quase. Pelo que foi presença, mesmo sem permanência. Pelo que ensinou, mesmo sem ficar. Pelo que tocou, mesmo sem permanecer. Um dia, talvez, chegue alguém que não seja apenas passagem. Alguém que fique. Que construa. Que faça morada. E, então, a vida deixará de ser feita apenas de inícios… e começará a ser feita de continuidade.

A princesa da torre

Ela passou dias, meses e anos esperando uma resposta da vida. Mas a vida não lhe trouxe as respostas que ela queria — trouxe outra coisa. Trouxe força. Uma força silenciosa, construída aos poucos, na solidão, na espera e no hábito de olhar para o céu como quem procura sentido nas nuvens. Trancada naquela torre, ela observava o mundo lá fora através das cores do entardecer. Acompanhava o movimento das nuvens como quem tenta decifrar mensagens invisíveis. Falava consigo mesma — não por escolha, mas por necessidade — como se fosse sua única companhia possível e, ao mesmo tempo, sua única forma de não desaparecer por dentro. Em algum lugar profundo, ela sabia que um dia sairia dali. Não sabia como. Não sabia quando. Mas havia uma certeza discreta que a mantinha viva: algo mudaria. Cresceu ouvindo histórias de um cavaleiro em um cavalo branco, alguém que viria para resgatá-la e transformar tudo. Por muito tempo, acreditou. Esperou. Desejou. Imaginou. Mas os anos têm o costume de desgas...