Bagunça
Era tudo uma bagunça.
E, de alguma forma, a sua missão foi chegar e me ajudar a organizar tudo por dentro.
Mas agora você se foi…
E eu senti as lágrimas descendo pelo rosto como quem reconhece que algo importante passou pela vida, mesmo sem ter permanecido. Ao mesmo tempo, senti o coração tomado por uma estranha gratidão — porque, de alguma forma, eu vivi.
Dizem que os sorrisos mais bonitos nascem depois das dores mais profundas. Talvez seja isso que eu tenha escondido por tanto tempo: a beleza silenciosa de ter sentido, mesmo que tenha doído.
Gratidão… pelo quase.
Pelo que foi presença, mesmo sem permanência.
Pelo que ensinou, mesmo sem ficar.
Pelo que tocou, mesmo sem permanecer.
Um dia, talvez, chegue alguém que não seja apenas passagem. Alguém que fique. Que construa. Que faça morada.
E, então, a vida deixará de ser feita apenas de inícios… e começará a ser feita de continuidade.
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