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Queimando outra vez

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Março de 2020. Oficialmente, Honduras começava a registrar os primeiros casos de COVID-19. As fronteiras foram fechadas, aeroportos silenciados, cidades paralisadas pelo medo. Embaixadas corriam contra o tempo tentando repatriar viajantes e migrantes para seus países de origem. O caos começava a se instalar em um país já marcado pela dor, onde grande parte da população vivia em extrema pobreza. As forças armadas tomaram as ruas. O direito de ir e vir desapareceu da noite para o dia. O medo caminhava pelas avenidas vazias, enquanto o silêncio pesado da incerteza cobria tudo. E eu… estava sozinha. Naquele momento, senti meu coração ser tomado por uma mistura sufocante de medo, aflição e insegurança. Pensei inúmeras vezes em voltar para perto da minha família, para o lugar onde eu me sentiria protegida. Eu havia chegado recentemente ao país. Não conhecia as ruas, não conhecia as pessoas, não conhecia a cultura profundamente. Tudo era novo, estranho e assustador. Somente eu e Deus sabemos ...

Frio sem meu eu

 Frio sem você não combina, Um sonho impossível ? Talvez, não sei.  Não sei aonde você está, mas sei que deve estar se fazendo a mesma pergunta.  Não se preocupe, logo vou chegar!  Nossos dias vão se tornar coloridos, e vamos ter brilho no olhar.  Obrigada por me fazer sorrir mesmo sem saber,  Ainda te espero, ainda te quero, ainda te anelo.  Não demora não, meu coração precisa de você!  Meu eu, menos meu, mas seu! 

O amor me chamou para dançar

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    Há dias em que tudo o que conseguimos enxergar é a escuridão. Os caminhos parecem frios, indiferentes, e o tempo se arrasta lentamente como se não tivesse pressa de melhorar. Nesses momentos, a alma deseja apenas que tudo passe rápido — porque já não há força para reagir diante das circunstâncias da vida. E, muitas vezes, o silêncio se torna o único grito que conseguimos dar. “Achei que sabia… mas me perdi. E agora sinto medo.” É assim que o coração se sente quando perde o próprio eixo. Há uma confissão dolorosa de erro, de descontrole, de fragilidade. E, no meio desse vale sombrio, existe uma lembrança: o amor esteve ali. No caminho mais escuro, encontrei o Amor. Ele me chamou para dançar, para viver, para sentir a vida de verdade. Mas também me alertou sobre os passos que eu deveria dar, sobre o cuidado necessário para caminhar com segurança. Mesmo assim, escolhi seguir meu próprio impulso. Quis sentir tudo à minha maneira, tocar o chão com liberdade, confiar ap...

Minha história

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Meu nome é Amanda e essa é a minha história. Todos nascemos para sermos uma voz, um som que pode transformar o mundo, mas como Ele pode me dizer isso se na gritaria em minha cabeça eu não consigo encontrar a minha própria voz. Os pensamentos negativos que rondaram a minha juventude, invadiram o lugar das promessas de Deus, com uma noite longa e gelada. Sem perceber ela já estava lá, me fazendo encolher e me empurrando para um canto qualquer. É tão difícil enxergar a luz, quando são os seus olhos que estão escuro. A bomba relógio da minha insegurança explodiu na minha juventude, escondia meus sentimentos, meu podres e meus pesadelos. Me sentia deslocada, incompreendida e oprimida por uma escuridão que não vinha dessa terra. Minha máscara de sorridente e gentil, escondia perfeitamente a minha realidade, triste e sem esperança. Minha aparente tranquilidade, beirando a perfeição, contrastava contornava de ideias que bagunçavam meu interior. Meus transtornos de ansiedade e m...

A porta de vidro

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Era uma manhã de domingo, mas não era um domingo qualquer. Naquela manhã, você havia preparado o chá, e nos sentamos juntos na velha gangorra do jardim. O inverno já havia passado, levando consigo todas as nevascas que o nosso relacionamento enfrentou. E então chegou a primavera — suave, viva — sorrindo lá fora junto ao desabrochar das rosas, orquídeas e girassóis que, um dia, plantamos juntos no jardim. Quantos momentos lindos colecionamos… quantos instantes únicos guardamos no coração. Os passarinhos cantavam sobre a varanda onde estávamos. O vento atravessava as folhas das árvores como uma melodia silenciosa que embalava nossa presença. E ali, naquele pequeno mundo nosso, encontrávamos aquilo que chamávamos de “final feliz à frente”. Era tudo simples. Era tudo sincero. Era tudo puro. Um sofá branco no canto esquerdo, com almofadas coloridas que traziam vida ao ambiente. Um quadro pintado por você — não como Da Vinci, mas com a alma de quem também sabia eternizar sentimento...

Bagunça

Era tudo uma bagunça. E, de alguma forma, a sua missão foi chegar e me ajudar a organizar tudo por dentro. Mas agora você se foi… E eu senti as lágrimas descendo pelo rosto como quem reconhece que algo importante passou pela vida, mesmo sem ter permanecido. Ao mesmo tempo, senti o coração tomado por uma estranha gratidão — porque, de alguma forma, eu vivi. Dizem que os sorrisos mais bonitos nascem depois das dores mais profundas. Talvez seja isso que eu tenha escondido por tanto tempo: a beleza silenciosa de ter sentido, mesmo que tenha doído. Gratidão… pelo quase. Pelo que foi presença, mesmo sem permanência. Pelo que ensinou, mesmo sem ficar. Pelo que tocou, mesmo sem permanecer. Um dia, talvez, chegue alguém que não seja apenas passagem. Alguém que fique. Que construa. Que faça morada. E, então, a vida deixará de ser feita apenas de inícios… e começará a ser feita de continuidade.

A princesa da torre

Ela passou dias, meses e anos esperando uma resposta da vida. Mas a vida não lhe trouxe as respostas que ela queria — trouxe outra coisa. Trouxe força. Uma força silenciosa, construída aos poucos, na solidão, na espera e no hábito de olhar para o céu como quem procura sentido nas nuvens. Trancada naquela torre, ela observava o mundo lá fora através das cores do entardecer. Acompanhava o movimento das nuvens como quem tenta decifrar mensagens invisíveis. Falava consigo mesma — não por escolha, mas por necessidade — como se fosse sua única companhia possível e, ao mesmo tempo, sua única forma de não desaparecer por dentro. Em algum lugar profundo, ela sabia que um dia sairia dali. Não sabia como. Não sabia quando. Mas havia uma certeza discreta que a mantinha viva: algo mudaria. Cresceu ouvindo histórias de um cavaleiro em um cavalo branco, alguém que viria para resgatá-la e transformar tudo. Por muito tempo, acreditou. Esperou. Desejou. Imaginou. Mas os anos têm o costume de desgas...