A porta de vidro
Era uma manhã de domingo, mas não era um domingo qualquer.
Naquela manhã, você havia preparado o chá, e nos sentamos juntos na velha gangorra do jardim.
O inverno já havia passado, levando consigo todas as nevascas que o nosso relacionamento enfrentou. E então chegou a primavera — suave, viva — sorrindo lá fora junto ao desabrochar das rosas, orquídeas e girassóis que, um dia, plantamos juntos no jardim.
Quantos momentos lindos colecionamos… quantos instantes únicos guardamos no coração.
Os passarinhos cantavam sobre a varanda onde estávamos. O vento atravessava as folhas das árvores como uma melodia silenciosa que embalava nossa presença. E ali, naquele pequeno mundo nosso, encontrávamos aquilo que chamávamos de “final feliz à frente”.
Era tudo simples.
Era tudo sincero.
Era tudo puro.
Um sofá branco no canto esquerdo, com almofadas coloridas que traziam vida ao ambiente. Um quadro pintado por você — não como Da Vinci, mas com a alma de quem também sabia eternizar sentimentos em cores. A imagem de uma fazenda, junto do nosso sonho de cavalos, pendurado como promessa na parede.
Aquela porta de vidro… aberta para o jardim… parecia um convite constante para a paz.
Minha pequena mesa de madeira rústica ficava ali, onde eu me sentava para escrever meus poemas. Flores ao redor, suculentas vivas, uma luz branca suave iluminando cada palavra que nascia no papel. Canetas de todas as cores espalhadas como pensamentos em liberdade.
E atrás de mim, meus livros. Minhas histórias favoritas — Shakespeare, Dan Brown, As Crônicas de Nárnia — guardando mundos inteiros que eu amava habitar.
Tudo era flores. Tudo era vida. Tudo era poesia.
E então eu me sentava… e escrevia.
Você ficava ali, em silêncio, diante de mim. E começava a me pintar.
Que intensidade.
Que momento.
Que cumplicidade.
Nenhuma palavra era necessária. Porque havia algo mais profundo do que o som: o olhar.
E naquele olhar… nós dizíamos tudo.

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